COVID-19 e pessoas que usam substâncias psicoativas, pessoas com consumos de álcool, sem-abrigo, trabalhadores sexuais e migrantes

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Escrito por:
Sérgio Rodrigues, Par do GIRUGaia– APDES.

Tenho visto e lido muita preocupação com esta população, porque não aceitam ir para um centro de abrigo, porque teriam que ficar lá “fechados”.

Pois muito bem, as pessoas que utilizam substâncias psicoativas, pessoas que utilizam álcool e outra população vulneráveis, não vão aceitar porque não estamos a dar a melhor solução para ele/as.

Primeiro, teríamos de pôr todo o nosso preconceito, a moral e o ideal do mundo livre de “drogas” para trás. Neste momento a mensagem correta é: salvar, salvar vidas humanas, não só as dele/as como todas as nossas vidas e a nossa saúde.
Abrir um espaço onde as pessoas poderiam continuar a ter os seus consumos de forma segura e controlada, junto dos técnicos e pares responsáveis pela gestão do espaço, que podiam gerir igualmente o consumo do álcool de cada pessoa.

Neste momento não vejo uma melhor solução, as Pessoas que utilizam substâncias psicoativas, Trabalhadores Sexuais, Sem-Abrigo, Migrantes, também são pessoas que devem ser respeitadas e tratadas como qualquer ser humano e nesta altura super difícil é a altura de dizermos que existe solução. Basta é que nos dêem um espaço para as pessoas, tornando possível a gestão do espaço ao mesmo tempo que trabalhávamos com eles muitas coisas (muitas mesmo),  como as situações de saúde e sociais de cada um, e possivelmente desintoxicação para quem quisesse. Pura e dura Redução de Riscos, sensibilização para a melhor maneira de se protegerem do COVID 19 e da gestão do consumo, prevenção de Overdoses, etc…

Há soluções, não querem ou não sabem como fazer, mas está aqui escrito o que acho, e se houver realmente preocupação por estes Seres-Humanos e por tod@s nós, basta deixarmos de ser moralistas nesta altura super difícil. Numa guerra desigual tod@s devem contar…

Soluções para o futuro?
Para podermos evitar este tipo de desigualdades entre pessoas..

– Housing first

– Salas de Consumo Seguro

– Drop In’s – espaços físicos onde as pessoas possam aceder a vários serviços, saúde, social, psicossocial etc.

– Prescrição de Heroína (para pessoas com muitos anos de consumo e que já tentaram várias alternativas de desintoxicação e não resultou) assim, as pessoas numa situação idêntica à que estamos a passar hoje, não teriam que sair de casa diariamente para irem às “compras”.

– Legalizar o Trabalho Sexual

– Legalizar a Marijuana, esta seria em primeiro lugar uma medida de direitos humanos, o direito à escolha individual, mas também para ajudar e muito a economia.